sábado, 12 de setembro de 2009

O REENCONTRO

Envelheci não foi? Só posso ter envelhecido porque se não te chamasse passavas por mim sem dar conta, quer dizer sem me relacionares com quem sou uma vez que dar conta deste, olhaste a bengala, olhaste-me a cara. A bengala deve-se a que torci o pé, mais nada, ainda não preciso de bengalas e o médico por precaução
__ Alivia-lhe os tendões e recupera mais depressa
Mandou-me andar com isto um mês ou dois e daqui a um mês ou dois as minhas apenas e eu ligeiro como uma gazela vais ver. A cara é que é o problema, coisas complicadas nestes anos todos, não vou dizer muito graves, sempre detestei exageros e tu sabes, coisas complicadas não muito graves mais que moem, desgastam, não vou aborrecer-te com assuntos que não valem a pena, quem não tem maçadas na vida ponha o dedo no ar e ninguém põe, nem sempre é fácil, umas mortes, umas questões no emprego, alturas em que o dinheiro não pinga como devia, maçadas com o senhorio, tretas dessas, deixa-me reparar melhor em ti, estás na mesma, o narizinho do costume
(sempre tive um fraco pelo teu nariz)
A testa lisa, o corpo, se me permites a intimidade, igual, o peito, se me permites mais intimidade e não te chocares comigo, direito como sempre e não é do soutien
(percebe-se logo quando é do soutien)
é de ti, há-de passar um século e tu linda. Tu linda e eu um trapo, o que o destino faz, já pensaste? Rugas e rugas, sardas nas mãos, esta papeira, as costas um bocadinho curvadas, reparaste, a tremura no braço esquerdo que me aborrece, o canto da boca esquisito, e a sobrancelha, e a bochecha e tu a pensares
(não me mintas)
__ Coitado
Tu a pensares
__ Coitado
Não negues que a cabeça, valha-me isso, funciona como sempre, a memoriazinha intacta, o raciocínio impecável, miolos de adolescente, novos em folha, perfeitos. Até na falta de juízo, se calhar. Ter-me divorciado de ti, por exemplo, aquela história parva com a tua irmã, que estupidez, não me interessava um pito a tua irmã, a gaita foi a inocência da juventude como se diz, o sangue quente e depois os decotes dela a chamarem, a chamarem, e fraquejei. Na nossa cama ainda por cima, não me desculpo disso, não hei-de esquecer os teus olhos à entrada da porta, o beicinho a tremer, a cadeira que me atiraste e não me rachou o ombro por acaso, o grito
__ A minha irmã, Alcides
Que conservo nos ouvidos, palavra, a minha roupa deitada fora pela janela, a roupa da tua irmã deitada fora pela janela e dali a dez minutos o teu pai com a chibata da tropa
__ Seu bandalho
a tua irmã a proteger-se com a almofada
__ Paizinho
e o teu pai sem a ver, de chibata em movimento
__ Você não é minha filha, cale-se
A deixar-me no lombo marcas que se te apetecer mostro como recordação
__ Seu bandalho
E eu, com a inocência da juventude
__ Não foi por mal senhor Nolasco, não foi por mal senhor Nolasco
Enquanto tu o ajudavas com o cinto que me tiraste das calças, a única má vontade que tenho contra ti
(a única)
Foi teres-me batido com a ponta da fivela que como era de metal lavrado me doeu para burro.
Isto quê? Há trinta anos? Quarenta? Quarenta e sete? Palavra? Imagina, quarenta e sete, refletindo melhor não admira, a gente pisca as pálpebras e passaram seis meses. No mínimo. Quarenta e sete anos, calcula, e tu linda, o nariz, a testa, o peito, ia apostar que a tua irmã, apesar de mais nova, um cavaco, juro por deus que nunca te chegou aos calcanhares. A chatice foram os decotes, tu decotes nem sonhar e ela com aquilo tudo ao léu e depois
__ Alcides
Com vozinha de rola, e depois
__ Você é um cavalheiro interessante, alcides
E depois tu no emprego e eu de folga, veio pedir emprestado o secador do cabelo, sentou-se no sofá
__ Vou descansar cinco minutos antes de me ir embora
E depois umas palmadinhas no lugar ao lado dela
__ Não me faz companhia, seu muzão?
E os tais decotes, a perna cruzada, a barra da meia, o cinto de ligas, eu a resistir e o queixo no meu ombro, a dentadinha na orelha, eu a resistir menos, ou seja a resistir mas menos, eu um dedo
(disse um dedo, não disse a mão toda)
aqui, outro ali enquanto a dentadinha insistia na orelha, enquanto o decote maior, enquanto
__ Você torna-me doida, seu muzão
Misturado na dentadinha e no que me pareceu a língua no buraco do ouvido
__ Mauzãozão
Qualquer coisa lá embaixo de mim a agitar-se, um ferver de águas profundas que a gente somos como os oceanos, e o quarto, a cama, logo a seguir tu na porta
__ Alcides
A avançar um passo
__ A minha irmã, Alcides
E daí para cá a minha vida é isto, coisas complicadas que moem, desgastam, não vou aborrecer-te com assuntos que não valem a pena, quem nao tem maçadas na vida ponha o dedo no ar e ninguém põe, não tornei a usar cintos de fivela lavrada, não tornei a casar, como conseguiria casar com outra mulher depois de ter casado contigo, um ou dois namoricos de chacha e foi tudo, com estes miolos de adolescente não me sais da cabeça, não me sairás da cabeça, aceitas um chazinho na pastelaria acolá, uma torrada e um chazinho, esqueci-me de almoçar hoje, acontece, e agora reparo que também me esqueci da carteira, se a tivesse comigo verificavas que o teu retrato ainda lá está, se em lugar do chazinho e das torradas eu comer um bife não te importas pois não, dás-me o teu endereço e eu passo por lá amanhã e pago-te ou então mando um cheque pelo correio
(um cheque, não, vários cheques pré-datados)
Na condição de só os levantares depois de cada dia vinte e seis que é quando chega a reforma.
RAMIRO FERREIRA FREITAS

DROGAS

Na linguagem médica droga é qualquer substância capaz de causar alterações no funcionamento do organismo.

O órgão do corpo humano responsável, entre outras funções, pelos sentidos e a memória é o cérebro. Ele é composto por células denominadas neurônios.

Drogas psicotrópicas podem ser entendidas como “ópio do povo”, pois eram usadas em rituais típicos do paganismo.

Uma pessoa pode ser levada a usar uma droga por:

*Insatisfação com a vida social e/ou profissional;

*Falta de informações corretas;

*Fácil acesso aos entorpecentes;

*Insegurança;

*Vontade de sentir prazer e abandonar a timidez.

Cocaína, maconha, etc., são em alguns casos usadas com finalidades terapêuticas. Isto é possível e deve ser incentivado, haja vista o efeito benéfico de certos compostos químicos à base desses produtos.

A pessoa apresenta dependência física, quando, na falta de determinada droga, ela sente os efeitos no organismo, tais como: Nervosismo, diarréia forte, vômito com sangue e abaixamento da temperatura corporal.

Síndrome de abstinência é o conjunto de sinais e sintomas próprios de alguém viciado sem acesso ao elemento do seu vício.

O cigarro pode causar grande dependência psíquica. Isso significa que seu usuário sente-se mais fraco na falta do trago, ou seja, o sistema nervoso é o aparelho mais vulnerável a ação nociva do fumo.

Alguns indivíduos embora livres da dependência física, a psíquica, muitas vezes involuntária pode ser responsável por recaídas. Notemos que a razão é a dificuldade em se adaptar longe do “prazer” proporcionado por a “encantadora serpente”.

Os órgãos que formam o sistema nervoso central do homem são: cérebro, cerebelo, bulbo e medula espinhal.

Drogas depressoras do SNC são aquelas que reduzem a atividade em tal sistema.

Drogas estimulantes do SNC são as responsáveis por uma elevação na atividade das células nervosas.

Drogas perturbadoras do SNC deixam a pessoa desorientada e desregulam o funcionamento dos nervos. Alguns exemplos: mescalina e maconha.

A influência do comportamento dos pais é decisiva para o uso ou o não-uso de álcool ou drogas. Por exemplo, se seu pai é viciado você pode sentir-se estimulado a ser igual a ele.

É fácil evitar o abuso de álcool e drogas. Basta conservar e ampliar no coração os conselhos de adultos maduros e experientes.

Sem conjugação de forças é impossível combater o vicio. Professores, pais e jovens devem abrir um diálogo referente ao tema.

Exploração de crianças e adolescentes é comum. Sobretudo no transporte e comercialização de entorpecentes. Todos os dias figuram em noticiários informações sobre meninos e meninas com droga escondida em seus corpos. “Os adultos traficantes oferecem gratuitamente oportunidade de experimentar a droga, quando as vitimas estão viciadas os espertalhões aproveitam e obrigam-nas a dar lucros”. Relatos de seqüestros, homicídios, assaltos, etc; certamente todos já ouviram tais noticias bárbaras relacionadas direta ou indiretamente ao gigantesco problema. Clinica de reabilitação é boa ferramenta para recuperação dos dependentes, porém, grande parte da população brasileira dispõe de recursos financeiros, sendo assim, o poder publico deve dar maior atenção ao assunto.

Ninguém usa drogas porque quer ou gosta.

RAMIRO FERREIRA DE FREITAS